Por Jim Shooter, História; John Buscema, Desenhos; Joe Sinnot, Arte-Final
Nós dois somos as criaturas mais poderosas da terra, mas com uma diferença.
Victor von doom
Eu escolhi usar o poder para impor minha vontade ao mundo.
Você, não.
Nesse segundo encontro, publicado em 1981, não temos Mary Jane Watson, o que já é uma péssima notícia. Mas a premissa é interessante: ao invés dos inimigos preferidos dos nossos heróis, o antagonista aqui não é íntimo de nenhum dos dois, mas é certamente um dos maiores vilões de ambos os universos: Victor von Doom.

Como nesses cross-overs antigos não havia a ideia de que os heróis estavam “viajando” de um universo ao outro, mas sim que eles já habitavam e viviam no mesmo mundo desde sempre, é curioso ver eles se relacionando sem “surpresas”. Jonah Jameson e Perry White se conhecem de outros carnavais; Dick Grayson sugere chamar os Vingadores ou a Liga da Justiça para enfrentar a Fênix; Bruce Banner trabalhando escondido nas Indústrias Wayne…
Nesse sentido, acho divertido os diálogos de Kal-El com Victor von Doom – são, neste mundo, rivais que se conhecem profundamente. Super-Homem demonstra ter uma vigília constante sobre o Dr. Destino – que por sua vez monta todo o seu plano já contando com as eventuais interrupções do Super-Homem, e tenta usá-las a seu favor.

O plano de von Doom não é nada modesto. Nosso monarca da Latvéria investiu consideráveis parcelas do PIB do seu país para construir bases ao redor do mundo, sempre embaixo das respectivas embaixadas – protegidas das interferências cotidianas dos impertinentes uniformizados pelas leis diplomáticas internacionais. Dessas bases, eles lançará um tipo avassalador de micro-ondas que irá desarticular molecularmente todas as reservas de petróleo do planeta – gerando um colapso energético, e civilizatório.
Como não amar Victor von Doom?

E, vejam que simpático: lá estão as bases de Brasília, Buenos Aires, La Paz e Lima – por outro lado, o continente africano esta terrivelmente desenhado.
O plano de von Doom exige a participação de um vilão da DC menos conhecido, o Parasita – um cara que suga energias e poderes, e nem precisa encostar, como a Vampira dos X-Men, basta estar próximo!
Porém, como Deus não dá asa a cobra, nem mesmo nos gibis (será?), o rapaz não dá conta de absorver níveis estratosféricos de poder, tipo do azulão e do verdão, por exemplo. E e justamente aí que entra a função do Parasita nos planos do Dr. Destino – que consiste em expor o cara a um nível tamanho de poder que vai levá-lo ao colapso; e aí, as radiações dele vão ser úteis na tramoia toda de transformar petróleo em gororoba inútil.

Victor manipula o Verdão para que ele vá a Metropolis. Obviamente, um plano pra atrair o Super-Homem. Diferentemente do primeiro encontro, em que percorremos 50 paginas para que finalmente algo aconteça, aqui a chapa já esquenta bem mais rápido.

Uma luta dessas, bicho. E desenhada pelo John Buscema…

Jim Shooter brinca com o intercambio de talentos entre as duas grandes cidades onde vivem nossos heróis. Jonah Jameson manda Peter cobrir a luta do século em Metropolis, e uma vez por lá Peter é convencido por Jimmy Olsen que o Planeta Diário é um lugar bem melhor pra trabalhar. Jonah, lógico, fica furioso por perder seu fotógrafo.

Mais tarde, Clark Kent vai a Nova York investigar Victor von Doom mais de perto – enquanto faz uns frilas pro Clarim Diário.

A Princesa Diana faz uma participação especial também, mas muito mais curta do que eu gostaria – vê-la no traço de John Buscema é especial.

O problema dessa aventura é que acaba de repente. Dr. Destino prende Kal-el ao envolvê-lo dos pés a cabeça com nanopartículas de kryptonita, e o Aranha também acaba preso – Hulk e Diana já estavam lá na máquina pra virar combustível pro Parasita. Mas aí, vejam que bobagem, o Aranha está lá acorrentado com algemas de vibranium, adamantium, sei lá, mas esqueceram de tirar os disparadores de teia dele.

Ele então usa sua teia como se fosse cera quente de depilação, retirando toda a poeira de kryptonita que tava impregnada nos poros do Super-Homem. Com o Super a pleno vapor, não tem quem segure, von Doom foge, largando pra trás suas máquinas à beira de uma explosão cataclísmica. O Aranha, num momento MacGyver, consegue consertar um reator nuclear com um grampo de cabelo.
E fim.
No fim das contas, acho que ainda continuo preferindo a trama deste segundo encontro. Mas agora ao reler, e compará-lo com o primeiro encontro, o astral é muito mais legal lá. Mary Jane e Lois fazem falta aqui, e se por um lado a cena do Hulk é sensacional, senti falta de quadrinhos mais amplos para a cena da Diana. Dr. Destino é um vilão mais consistente, mas menos carismático do que o Lex Luthor de uniforme roxo.
E lá tem esta cena em que Neal Adams e John Romita deram uma ajudinha pro Ross Andru. Covardia.

Axé!!
PS 1: Uma galera contribuiu na arte-final: Terry Austin, Klaus Janson, Al Milgrom, Bob Wiacek, Bob Layton, Bob McCleod, Steve Leialoha, Walt Simonson e Joe Rubinstein.
PS2: Ela aparece apenas em dois ou três quadrinhos, no máximo, mas foi muito bom lembrar dela que era uma das minhas personagens “civis” preferidas da época: Glory Grant, a secretária de Jonah Jameson, uma das personagens mais luminosas, adoráveis e “gente boa” de todos os tempos.

PS 3: É um clássico, é repetitivo, eu sei, já virou meme em vários formatos desde a época em ainda compartilhávamos memes como anexos em e-mails. Mas ainda assim, a pergunta que não quer calar se mantém:

Super, não seria mais fácil tirar o ônibus dos trilhos? Por que essa fixação em parar trens no braço, brother?