A RGE que está na memória de todos os leitores da minha geração é a que publicava os formatinhos do Homem-Aranha e do Hulk, em 52 páginas, e o Almanaque Marvel, que trazia X-Men, Nova e Demolidor em 100 páginas. Havia também os Almanaques do Aranha e do Hulk – com histórias que vinham na verdade das tirinhas de jornal – e os Superalmanaques do Aranha, com 132 paginas de grandes encontros com outros heróis. Nos seus últimos momentos, surgiu o Almanaque Premiere Marvel e suas estreias superlegais.
Mas, no inicio, ali em 1979 e 1980, havia também uma revista dos Quatro Fantásticos – sim a RGE não os chamava de “quarteto” – e a Super-Heróis Marvel – dedicada a grandes encontros em duas aventuras por revista: sempre uma do Aranha e a outra do Coisa. Elas sobreviveram por pouco tempo, eu mesmo folheei poucas delas naquela época. E consegui recuperar não sei dizer em que momento este número 30, que é justamente a última edição.
Com certeza é estranho quase ao nível de inacreditável imaginar que uma revista poderia ser ancorada por historias do Coisa e convidados. Mas, de fato, se o Aranha tinha a Marvel Team-up para seus encontros, alguns célebres aliás, como os da fase de Claremont & Byrne e o épico episódio final da “segunda” Saga de Thanos, nosso camarada Ben Grimm também tinha uma revista para interagir com seus amigos – a Marvel Two-in-One, que teve 100 edições entre 1974 e 1983. (Obrigado Guia dos Quadrinhos!) Enfim, neste final dos anos 70 o sobrinho mais charmoso da Tia Petúnia, o alaranjado Coisa, era sim muito popular – a ponto de ter o seu próprio desenho Hanna Barbera na TV.
“Anéis mágicos, entrem em ação!”

A verdade é que quando peguei este degradado gibi pra folhear, não esperava ter que escrever algo sobre ele.
O que me lembrava é que foi aqui a primeira vez que vi o vampiro científico Morbius. Que, imagino, vocês devem conhecer graças ao épico filme com Jared Leto.


Porém, esta história, embora não tenha nada de clássica, se conecta de maneira curiosa com alguns posts que já cometi por aqui.


A menina que é sequestrada pelo vilão e levada pra passear pendurada pelos céus de Nova York desta vez não é Mary Jane, mas a iluminada Glory Grant. Enquanto isso, Tia May e MJ estão às voltas com a preparação dos cartazes para o protesto em prol dos direitos dos idosos – aquele mesmo onde May terá um grave infarto enquanto o Aranha está enrolado com DuendeS VerdeS.


Vemos ainda o Aranha dar uma dura no gangster Morgan, um dos vários chefões do crime que operavam caoticamente antes de Wilson Fisk voltar do Japão e organizar a bagaça.
E temos tb uma cena rápida onde Flash Thompson finalmente descobre onde está escondida sua namorada vietnamita, Sha Shan.

Na outra história que completa esta revista, Ben Grimm está a procura de sua amada Alicia Masters, sequestrada pela Hydra. Meio indeciso e desconfiado, resolve aceitar a ajuda de uma Jessica Drew que ainda não tinha soltado os cabelos e que por isso era 99,7% menos sexy, apesar do uniforme já estar no estilo “embalada a vácuo”.


Obviamente, tinha apagado da memória que Alicia tinha se transformado em uma mulher-aranha. De modo que me surpreendi de novo agora, 42 anos depois ahahahah.
Axé!

