Thor. “O que aconteceria se… O martelo de Thor fosse encontrado por uma mulher?”

por Don Glut, história; Rick Hoberg, desenhos; Dave Hunt, arte-final.

“Quem empunhar este martelo, se for digno, terá o poder de Thor!”

palavras inscritas no martelo mjolnir

Hoje em dia, parece que qualquer criança – ou adulto – conhece o conceito de Multiverso. Não apenas uma coisa de viajar no tempo para alterar – ou bagunçar – o passado ou o futuro, como fizeram Marty McFly ou T-800, mas algo bem mais complicado: cada um de nós são centenas de milhares, em milhões de universos paralelos. Aranhaverso, Dr. Estranho, os filmes da DC em que cada um está no próprio Universo e não conversa com os outros…BatPattinson, BatAffleck, JokerLeto, JokerJoaquin…BatKeaton de volta…Até o garoto dos Goonies viajou no tempo e ganhou um Oscar, depois de adulto!!

Tem um “corte” já clássico de uma entrevista com o físico Stephen Hawking, em que um cara pergunta:
“- Se existem inúmeros universos paralelos, então existe algum em que eu sou tão inteligente quanto você?
Ao que Hawking responde de bate-pronto, por meio daquela sua máquina que era sua voz:
“- Claro q sim. Existe até um em que vc é realmente engraçado…


Só que naquele longínquo início dos anos 80, não era bem assim. Kate Pryde ainda não tinha viajado pro passado pra avisar que não haveria futuro para os X-Men; McFly e T-800 também não tinham aprontado nenhuma confusão ainda. A principal dimensão paralela que eu conhecia naquela época era apenas a Terra-2 da DC, onde os heróis dos anos 30 e 40 já estavam idosos – como Alan “Lanterna Verde” Scott e Jay “Joel Ciclone” Garrick -; a “Liga da Justiça” se chamava “Sociedade da Justiça”; e seus herdeiros já combatiam o crime – como a “faca na bota” Helena Kyle Wayne, a Caçadora. 

Foi então que Uatu, o nosso Vigia que não consegue ficar quieto, começou a contar histórias sobre como as coisas às vezes se desenrolavam de modo muito diferente em outras linhas temporais. A série “What If?…” foi um imediato sucesso, e foi trazida o mais rápido possível para os leitores brasileiros. Na Abril, chamava-se “O que Aconteceria Se?…”; na RGE, mais simples e direto, “E Se?…”


Para a galera que acompanha a Marvel pelo cinema, a ideia de uma deusa Thor não é nenhuma novidade, uma vez que os filmes adaptaram um arco de alguns anos atrás, em que Jane Foster passa a empunhar Mjolnir e assume o posto de Thor. Mas muito, MUITO antes MESMO de Natalie Portman ser reconvocada para o MCU e começar a malhar os bracinhos como nunca dantes, Jane Foster já havia levantado o martelo e, em uma obscura linha temporal paralela, se mostrado digna do poder de Thor!

Recapitulando: bem lá no início, Thor tinha uma identidade secreta, o jovem médico Donald Blake. O rapaz tinha um sério problema na perna, daí ele tinha que usar uma bengala – quando batia a tal bengala no chão, entretanto, ela se revelava como Mjolnir, e Donald se tornava Thor. Mas, na verdade, era tudo ao contrário: Donald Blake é que era a identidade secreta de Thor. Isto porque, a certa altura, Odin se cansou dos atos impulsivos de Thor, e o enviou à Midgard na forma de um corpo frágil, para que aprendesse outras virtudes, como a humildade.

Quando estivesse finalmente digno e maduro, esse Thor em formato de Donald Blake seria atraído ao local onde Mjolnir estava escondido, e daí voltaria finalmente a Asgard em sua plenitude trovejante.

Mas, este multiverso é mesmo uma caixinha de surpresas!! Em uma das muitas infinitas Terras, Donald Blake foi sim atraído para as praias vikings, e estava já bastante próximo do local onde se escondia Mjolnir. Porém, nesta linha específica, estava acompanhado de sua então apenas platônica e ainda não-namorada Jane Foster – e aí foi a menina que se perdeu no meio das cavernas, apenas para encontrar uma bengala de madeira.

Como vocês poderão concordar comigo, o visual da deusa Thor dessa época é bem melhor do que a das histórias recentes.


Ao sentir que Mjolnir foi ativado, Odin começa a mandar “sinais” para que Thor reencontre o caminho de Asgard – tipo a ponte do arco-íris Bifrost. Mas fica bastante surpreso e contrariado quando, ao invés de reencontrar seu filho, surge à sua frente uma mulher com os poderes de Thor. Pavio curto e grosseirão como sempre, Odin nem tenta entender direito o que está acontecendo, e já resolve logo despachar nossa deusa de volta pra Midgard.

O tempo passa, Thor entra nos Vingadores, enfrenta vilões – inclusive, lógico, um confuso Loki -, enquanto o jovem médico Donald Blake precisa se acostumar com as repentinas ausências de sua enfermeira e ainda quase-namorada, Jane Foster, agora muito mais ocupada com sua vida dupla de Deusa do Trovão.

Sempre que alguma treta surgia na janela, ela sumia à la Peter Parker ou Clark Kent, batia a sua escova de cabelo no chão e “Shazam!” – Deusa do Trovão na área!

Não julguem a moça! Afinal, a bengala de madeira tinha sido encomendada sob medida pro Dr. Blake – como diabos Jane Foster ia sair por aí andando de bengala, ou pior, como escondê-la dentro da bolsa?!

Após algumas desventuras, e uma intervenção incisiva da Deusa Sif – que resolve ir atrás do seu homem, no caso o dr. Donald Blake e não mais a Thor-, enfim ocorre um daqueles ataques devastadores contra Asgard, a coisa quase desanda de vez, e Odin resolve desemaranhar a confusão toda. Confisca o martelo de Jane e o devolve a quem deveria ser o verdadeiro dono, Donald Blake.

Com o Thor menino de volta, tudo resolvido, Jane Foster voltando pra Midgard, eis que Odin surge com uma atuação surpreendente na melhor página de toda esta aventura. Craque do Jogo.

O que haveria para comentar ainda após tal cena? Sem palavras.

Axé!

PS 1: Esta história é bem tosca, pra falar a verdade, como vocês devem ter percebido. Mas tem esse valor histórico de já colocar Mjolnir nas mãos de Jane Foster. Acho que a minha “What if?…” preferida dessa época é a do Dr. Destino herói. Tem uma ótima também, de vários anos mais tarde, “o que aconteceria se” o Capitão não tivesse sido congelado – o homem ganha a 2a guerra, funda a SHIELD, vira presidente dos EUA e depois afunda o planeta numa 3a guerra mundial nuclear.

PS 2: A Caçadora, Helena Kyle Wayne, foi uma personagem criada na Terra-2, filha de Bruce e Selina. Após a Crise nas Infinitas Terras, foi reconfigurada, sendo a partir daí não mais herdeira do alto escalão, mas continuou uma vigilante relevante em Gotham – que teve seus melhores momentos ao lado de Oráculo e Canário Negro na equipe Aves de Rapina.

PS 3: Nunca entendi muito bem como um “Almanaque de Esportes” vindo do futuro poderia ter tornado Biff Tannen um multibilionário. Hoje, conhecendo o “milagre dos juros compostos” aplicado a esse mundão das apostas esportivas, fica um pouco mais claro…

Heróis da TV, número 29. Ed. Abril,  outubro de 1981.
Publicação original: “What If ?…”, #10. Marvel, 1978.

Published by zehap

a esta altura do campeonato...

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